Operação Marquês. Julgamento adiado para 13 de janeiro

O julgamento da Operação Marquês foi adiado novamente, estando agora agendado para 13 de janeiro. O adiamento acontece depois de a advogada oficiosa atribuída a José Sócrates ter anunciado esta terça-feira que recusou defender o antigo primeiro-ministro.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: Ana Serapicos - RTP

A advogada Ana Velho, chamada devido ao facto de o advogado nomeado por José Sócrates se encontrar hospitalizado, disse não ter condições para defender o antigo primeiro-ministro.

O tribunal considerou, porém, que Ana Velho não poderia ser dispensada da função e deu-lhe cinco dias para contactar José Sócrates e tomar conhecimento do processo.

“É a lei que nós temos”, afirmou aos jornalistas. “A juíza fez muito bem porque está na lei e eu também vou fazer aquilo que me compete legalmente”.

A advogada considerou que cinco dias não são suficientes para se inteirar de toda a matéria relativa a este processo. “Fiz a minha exposição ao juiz, que também percebeu”, acrescentou.

José Sócrates já reagiu, afirmando que "os direitos da defesa não se resolvem com advogados oficiosos".

"São 300 mil páginas. Como é que alguém pode, em cinco dias, estudar 300 mil páginas? Isso é impossível", declarou.

O antigo chefe de Governo quer que o tribunal dê à defesa o mesmo prazo que deu ao Ministério Público para recorrer, ou seja, 55 dias. "Isso é justo e é equitativo", defendeu.
Primeira advogada recusou por questões éticas
A mandatária Ana Velho foi a segunda advogada oficiosa a ser nomeada hoje para representar o ex-governante socialista, depois de Inês Louro, a primeira a ser chamada e antiga presidente da Junta de Freguesia de Azambuja pelo PS, ter invocado objeção de consciência por ser militante do Chega.

“Desempenho também funções políticas, fui eleita duas vezes vereadora por um determinado partido político do qual, no âmbito dessas funções, tenho sido bastante crítica politicamente de todo este processo”, elucidou a advogada.

“Portanto, não seria minimamente ético, quando se toma determinadas posições que são públicas, depois vir aqui defender outra questão na justiça”, disse aos jornalistas no Campus de Justiça.

“Eu apesar de exercer advocacia e política, sou uma única pessoa só”, acrescentou Inês Louro.

c/ Lusa
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